Roberta - casa 50
Cristina - casa 54
Lucía e Reinaldo - casa 58
Jose Araripe Jr - casa 62
Wanda - casa 74
Fátima - casa 78
Adriana - casa 84
Fábio Goldfarb - casa 92
Paulo - casa 100
Miltom/Eliana - casa 104
Alessandra - casa 108

sábado, 14 de novembro de 2009

Jornal O Estado de São Paulo - caderno Metrópole 3/11/2009














Vilinha se rebela contra arranha-céu

Antes mesmo que as estruturas sejam erguidas, moradores fazem movimento contra prédio em Pinheiros

Durante sete anos, na década de 1990, o arquiteto Fabio Goldfarb, de 36 anos, projetou prédios em São Paulo, muitos deles erguidos pela construtora da família - a Goldfarb. Para suportar a rotina da cidade, escolheu viver em um sobrado simples e aconchegante em Pinheiros, na zona oeste da capital, alvo de fetiche dos amigos. A casa, com jardim, quintal e janelas amplas, integra uma vilinha pacata, localizada em uma rua estreita, isolada das avenidas movimentadas que cercam o bairro.

No começo do ano, ele soube que um grande empreendimento seria erguido no terreno colado à vilinha em que mora. Pela primeira vez, acompanharia o processo de construção de um grande edifício no papel de cidadão, do lado de fora de uma grande corporação.

O arquiteto começou a ficar intrigado numa noite em que recebeu o primo, presidente da Goldfarb, para jantar em casa. Ainda na calçada, o empresário reparou no entulho de casas recém-demolidas. "O que aconteceu aqui?", perguntou. "Vão construir um edifício", respondeu o anfitrião. O presidente da Goldfarb deu três passos para medir a largura da rua, viu que a passagem tinha pouco mais de 3 metros e o novo empreendimento ficaria colado às casinhas que sobraram. "Não é possível. Veja se é isso mesmo. Está estranho." Depois disso, não dava para esperar sentado. Era preciso saber as intenções da Even Construtora, responsável pela obra. Ainda no primeiro semestre, entrou em contato por e-mail com os demais vizinhos, moradores das outras 14 casas da vila.

O professor de Filosofia e Ética das Faculdade Metropolitanas Unidas (FMU) Paulo Masella, morador e proprietário de uma das casinhas, conseguiu conversar com uma engenheira da Even. Ouviu dela que "não seria um prédio para emergentes do mercado financeiro, mas um empreendimento de luxo". Ficou aliviado. Talvez a planta levasse em consideração as peculiaridades do bairro. Mas Masella e os vizinhos acabaram surpreendidos em julho ao ver o projeto no site.

O lançamento seria realmente de alto luxo: 42 unidades, com apartamentos de até 623 m² e seis vagas na garagem, que devem render cerca de R$ 120 milhões. A tragédia era o projeto. Os quatro primeiros andares seriam estacionamentos para quase 200 carros, a cerca de 10 metros dos jardins das casinhas. "Serão automóveis subindo e descendo rampas, com farol, fumaça e barulho saindo pelos buracos dos tijolos de elemento vazado. Não imaginaria coisa pior", diz Masella.

Mal os vizinhos assimilaram a novidade, começaram as obras para construir o estande de vendas de apartamentos. A rua escolhida para a passagem dos caminhões, tratores e descarregamento do material, foi justamente a viela estreita da vila. Os trabalhos ocorriam de noite e de madrugada, e não foram colocados tapumes para diminuir os ruídos.

Em um blog (www.nossaruaenossa.blogspot.com), os moradores passaram a registrar fotos da obra e o protocolo das reclamações que faziam aos diversos órgãos municipais. Foram 14 à Subprefeitura de Pinheiros e Prefeitura, 6 à Companhia de Engenharia de Tráfego, 3 à Even e 3 ao Programa de Silêncio Urbano (Psiu). Não foram atendidos em nenhum dos casos. Somente as viaturas das polícias apareciam. Quando chegavam, os caminhões já haviam descarregado. "Uma empresa que vai faturar milhões com a venda de apartamentos não se preocupa em colocar tapumes? O que é isso? Sei que passamos a viver dentro da obra deles", diz a arquiteta Alessandra Maestro, moradora da vila.

Com o apoio de advogados, os moradores passaram a investigar a legalidade do projeto. Descobriram que não existem irregularidades flagrantes no empreendimento e pelas leis municipais os espigões podem colar garagens de carros no quintal de uma comunidade estabelecida no bairro há anos.

LADO MAIS FRACO

Trabalhando como diretor de Arte no cinema, depois de meses de brigas que não os levaram sequer a serem ouvidos pela empresa, Goldfarb percebeu do lado mais fraco a desproporção de forças entre moradores e construtores. Lembrou-se de Crianças Invisíveis, da diretora Katia Lung, que ajudou a fazer. Mostrava a vida de uma família de catadores de papel moradora do Jardim Edith, favela da zona sul que neste ano foi retirada dos arredores da Avenida Roberto Marinho. "Estamos sendo expulsos e somos invisíveis, ninguém se importa, não há a quem recorrer. Uns podem tudo, outros não têm direito à nada. Hoje eu sei como a cidade pode ser injusta e violenta."



Fonte:
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091103/not_imp460177,0.php

Um comentário:

  1. Gostaria de enviar a vcs um artigo escrito por um colega e que diz respeito a essa obra, contendo alguns detalhes interessantes que talvez vcs desconheçam. Como posso enviá-lo? Não encontrei um email para anexar o pdf. Grata

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